o por que de eu estar a ser

Nos conhecemos em tempos tempestivos. Eu precisava de uma mão. Eu precisava me reerguer, e ela me ofereceu a mão. Começou assim, com algo que poderia ser efêmero e passageiro. Mas não. Durou. A cada dia que passava conversávamos mais e mais. E quase que instantaneamente cresceu entre nós um amor, como uma flor que enrama-se num muro.

Foi um ano repleto de surpresas e reviravoltas, boas e ruins. Depois de saber que minha mãe ficará curada, o que me deixa mais feliz é ter conhecido a Amanda. Ela fez com que eu sentisse algo que eu nunca sentira antes, fez com que eu me sentisse amada de uma forma diferente. Eu não quero chorar enquanto escrevo estas palavras. Eu a quero por perto. Eu olho para a tela do Notebook e vejo o pôr-do-sol que ela vê todos os dias. Eu tenho um pedaço do seu céu.

Eu sei que a amo, eu sei que ela é uma das pessoas mais incríveis e brilhantes que eu tive a sorte de conhecer. Desde quando ela me mandava seus textos via mensagem quando eu estava triste, desde quando eu estava indo para casa deprimida sentada em uma moto em movimento e mandando mensagens para ela. Desde quando ela me estendeu a mão. Eu sei que tenho nela uma amiga, mais do que isso, um amor.

Acabei de errar a mira ao jogar um papel cheio de material melequento na lixeira há menos de 3 metros. Por que será isso?

Enquanto escuto a voz rouca e peculiar da Courtney Love gritar “stand up motherfucker”, penso no amor. Essa criatura abstrata que pintamos cada um de uma cor diferente. Penso nas diversas formas de amor, e em como até no ódio tem um pouco desse sentimento. Em putrefação, talvez, mas está ali. Eu não quero ter medo do amor, nem de amar. E eu não quero odiar, mas há tanto ódio no meu coração, tanta mágoa e tanta raiva, e isso me limita tanto que não sou capaz de começar novas amizades, novos relacionamentos nem nada. Eu preciso parar de odiar meus familiares.

Posso tratá-los com indiferença. Eles me ferem com seja lá o que for que eles sintam por mim, mas eu não quero odiá-los. Não quero odiar ninguém. Também não quero guardar mágoas. Quero tentar começar o novo ano com um coração e uma mente renovadas… e como isso é difícil. Quase impossível. Requer uma transformação, um trabalho intenso e diário.

Quando eu era criança eu costumava perguntar a minha mãe se eu iria para o céu. isso me apavorava. Ela sempre respondia que sim, que crianças iam para o céu. Mas quando cheguei a certa idade, ela começou a dizer que, se eu fosse uma boa menina, então, sim, eu iria para o céu. Eu não sei no que me tornei. Se sou boa, se sou nobre. Mas sei que sinto dor. Muita dor…

Palavras são perigosas, não são? Quão grande é o poder que elas tem de amaldiçoar, de despertar medo, ou raiva, ou felicidade. Eu preciso ser sincera, mesmo que isso cause dor. Eu preciso. Mais um ano começa daqui há menos de um mês, e eu não quero prender ninguém, nem continuar presa – sim, pois me sinto presa há tanto tempo. Preciso ir embora, preciso ficar. Preciso dizer, preciso calar. São antíteses com as quais eu não sei lidar muito bem.

Respostas também assustam. Te deixa aflito esperar pela resposta de alguém.

Eu amo Amanda. Amanda me ama. Não há nada a ser acrescentado, além do que ela é. Com seus lábios grossos e cabelos encaracolados, com sua alma pura e suas palavras formais, seu brilhantismo e compreensão, sua doçura e simplicidade, e ao mesmo tempo essa voragem que tudo domina. Inclusive a mim. Eu amo Amanda, e ela me ama. E é assim que eu pretendo começar o ano. Com amor.

Já pensou se acontece um desastre e eu fico furiosa em pleno Natal? Ou no Réveillon? Seria mesmo uma tragédia. Mas tudo o que eu mais quero, EI, DEUS, ESTÁ ME OUVINDO, CERTO? TUDO O QUE EU QUERO É AMOR E PAZ, como os hippies dos anos 60 costumavam pregar. Por favor, conceda-me a graça de saber o por que de eu ser.

Amanda, você está lendo isso. E eu sei que você deve estar pensando… Bom, eu não sei o que você deve estar pensando. Eu só sei o quanto sou grata de ter você. De te amar, de ter o seu amor. Eu te amo tanto, meu anjo. Eu gostaria tanto de poder agarrar a distância com meus dedos e desfazê-la, e então te abraçar e encher de beijinhos. Eu só quero que você seja feliz, e eu estarei sempre aqui com você. Começaremos o primeiro ano-novo juntas, e nos ajudaremos no decorrer do ano, e virão muitas lágrimas e momentos tristes, e vamos querer morrer ou ser esmagadas como baratas. Mas estaremos juntas, mesmo que há quilômetros de distância.

E o meu amor e o seu amor andarão de mãos dadas, desde aqui até a eternidade.

o por que de eu estar a ser

Pensamentos avulsos

Não podemos nunca esperar do outro algo que nós queremos. Seria individualismo. Seria como tentar anular a essência e identidade do outro. O amor, por exemplo. A gente as vezes ama, se apaixona, e no fim se frustra, fica mal. E culpa o outro. Não tô aqui pra dizer que a culpa não é do outro. Mas vamos explanar. Há casos vários em que sim, o outro tem culpa. Tem casos em que os dois erraram, fizeram merda etc. Muito comumente, afinal um relacionamento é um laço, algo forte, requer conexão e responsabilidade emocional para lidar um com o outro. MAS, há casos em que você se frustra ou se machuca pelo simples fato de esperar n coisas de um ser humano. Reações, atitudes x e y, etc. Isso é inerente ao homem e é natural. Mas nem sempre é saudável – ou nunca. Não é um robôzinho que você pode controlar, é uma pessoa, que tem suas próprias experiências, sua própria vivência. Nem sempre essa pessoa vai corresponder às suas expectativas. E ai cê acaba dizendo: “Ah, fui trouxa.” E foi. Mas não pelos motivos que tu pensa.

Pensamentos avulsos

Tentáculos

Meus pensamentos difundiram-se entre meus inimigos. E tudo em que eu conseguia pensar era que eles nunca conseguiriam me decifrar, pois nem eu mesma sabia como fazê-lo. Minha mente era como um emaranhado de arame; qualquer um que tentasse meter a mão acabaria machucado. Por isso eu cessara de tentar já há algum tempo. Sim, já há alguns meses eu desistira de mim mesma. Não como se… Não como se eu fosse me matar, entende? Mas desistira de tentar desvendar o porquê de eu ser daquela forma.

Beberiquei um pouco do chá. Estava amargo. Ou seria o meu paladar que estava comprometido? Seria isso também algo da minha mente? Meus sentidos andavam embaralhados, confusos e de certa forma, adormecidos. Eu dizia que desceria as escadas quando deveria subi-las. Eu fingia esquecer de compromissos só para não comparecer. Eu bebia o mesmo chá de hortelã nos mesmos horários, todos os dias, e comia apenas uma fatia de pão às sete da manhã – exatamente -, ao meio dia, e a noite. Com essa dieta eu perdera cinco quilos em duas semanas. Mas eu não estava preocupada com o meu peso.

Meu nome era Morgana e eu estava amaldiçoada por ter o nome de uma feiticeira. Digo… como os cristãos a rotulavam. Eles me amaldiçoavam pelo meu nome. O de uma bruxa, que fazia rituais demoníacos e vivia uma vida promíscua. Sinceramente eu não conseguia achar o que havia de errado nisso, a não ser pela adoração ao demônio. Eu não acreditava nessas coisas, então se Morgana realmente fez isso eu a considerava tão obtusa quanto minha irmã adventista que não comia carne de porco.

Meu estômago clamava por comida. Mas eu não ia comer. Levantei da cama e caminhei até o espelho. Levantei a blusa de flanela cinza. Minhas costelas já estavam aparentes, e as ossadas do pescoço também. Eu não era anoréxica. O médico estava errado. Eu me via exatamente como eu era. Feia e gorda. Agarrei um pedaço da minha coxa. Viu? Gorda. Completamente fora de forma. Fiquei ali, fitando meu próprio reflexo por um tempo, e depois voltei para a cama, onde me deitei e acabei por adormecer.

Despertei atordoada e quando me sentei, senti uma vertigem tomar conta do meu corpo. Por um momento pensei que fosse desmaiar. Respirei fundo e tentei manter-me calma. Droga! Agora eu me lembrava: não havia comido uma fatia de pão aquela manhã. Tonta e me arrastando, me encaminhei até a cozinha. Quando agarrei o pacote de pães, percebi que minhas mãos tremiam, e eu me sentia fria. Gélida. Sintomas de pressão baixa? Agarrei a fatia de pão e a enfiei inteira na boca, mastigando gulosamente e espalhando migalhas por toda mesa e chão. Não conseguia manter-me de pé, então sentei de pernas cruzadas no chão.

“Merda”, pensei. “O chão está tão frio quanto eu.”

 

Tentáculos

A busca por status nos dias atuais

A busca por ascensão social modifica-se ao longo do tempo, embora o objetivo continue o mesmo. Hoje, por exemplo, observa-se que a quantidade de likes e compartilhamentos que você ganha em um post no Facebook te confere um certo status de “cool”.

Logo vêm pessoas te elogiando, mesmo aquelas que nem se deram ao trabalho de analisar direito o que você escreveu ou etc. As pessoas passam a te endeusar, e te tratam como um ídolo. Esquecem-se de que somos apenas humanos, frágeis e falhos.

Há uma linha tênue entre admiração e um certo tipo nocivo de busca por aceitação, quem sabe, que move as pessoas a curtirem e compartilharem coisas que outras já compartilharam, pois assim estarão expressando que também gostam daquilo, que também são legais. Isso é perigoso, pois acaba por anular a sua essência e dá espaço para atitudes que te moldam, e te transformam de forma negativa, e comumente despercebida.

No mundo virtual, a aparência é valorizada em detrimento do que não é palpável. Dos valores, do verniz da alma. Daquilo de que realmente somos feitos. E isso não acontece só na inter web. Vivemos em uma época onde cada vez mais suas roupas, seus trejeitos, sua cara, seu corpo, é mais valorizado do que seu caráter, seus valores morais. Na internet isso torna-se ainda pior pois você pode mostrar o que quiser, digitar o que quiser, e enganar a quem quiser.
 
É importante que nos lembremos de que likes e comentários aos montes não te fazem uma pessoa melhor ou mais especial. Mas quem você realmente é, isso sim, faz toda a diferença.

 

 

 

 

 

 

A busca por status nos dias atuais

Voragem

Marina desligou o chuveiro, mas não se moveu. Permaneceu parada, observando a água escorrer pelo seu corpo, observando os pés frios e negros, e tremia. Seus dentes trincavam. Não havia razão específica para ficar parada ali, como se estivesse paralisada. Mas foi exatamente o que aconteceu. Marina sentiu-se paralisada. Porque de repente sentiu um medo tão grande de si mesma que, assustada, temeu mover-se. Não sabia por que, apenas temia.

Quando seu corpo gélido pediu por algo quente e reconfortante, foi quando ela, lentamente, arrastou-se até a toalha e enrolou-se nela desajeitadamente, ainda tremendo. Era um inverno rigoroso, é preciso tomar nota. E Marina tomara um banho frio. Também não sabia por que. Talvez em seu subconsciente desejasse pegar uma gripe ou adoecer os pulmões. Enrolada na toalha, ela parou em frente ao espelho e por um momento ficou de cabeça baixa, os cabelos enrolados agora molhados e escorridos, tampando parte do seu rosto. Depois de um momento, receosa, espiou entre as frestas dos fios pretos e fitou seus próprios olhos no espelho.

Seus olhos pareciam opacos, mas talvez fosse apenas um reflexo da luz em um ângulo diferente. Mas não se podia negar que seu rosto estava pálido, e seus lábios ressecados e descascando. Ela parecia o vislumbre de uma criatura que não contemplava a luz do sol há muito tempo. Marina agarrou uma mecha dos cabelos entre os dedos e escondeu-os atrás da orelha. Agora fitava a sua figura no espelho com curiosidade, o cenho franzido, os olhos semicerrados. Quem era aquela mulher que a encarava? O que era aquela borboleta morta e despedaçada dentro do seu peito?

Aproximou-se mais do espelho, apoiando as mãos na pia. E de repente foi tomada por tamanha cólera que seu rosto pálido corou-se. “QUEM É VOCÊ?” vociferou. E repetiu, e repetiu a mesma pergunta vezes e vezes, e uma lágrima ou outra saltava de seus olhos esverdeados, mas ela não parava de gritar. Com o punho cerrado deu um soco certeiro exatamente onde estava sua cara no reflexo do espelho. Nada quebrou-se, mas sua mão doeu terrivelmente. E então, com a respiração acelerada, ela murmurou uma última vez para sua cara agora corada e colérica. Quem é você?

O espelho não respondeu, é claro.

Voragem

Sobre como me sinto

Acho que preciso voltar a fazer terapia. Sinto que tenho um imenso potencial a ser explorado dentro de mim, mas minhas limitações – o medo, a insegurança, a mágoa – me impedem de maximizá-lo. Isso é muito ruim, pois sinto que sou burra.

Eu sinto que tenho potencial para ser uma pessoa gentil, educada, aberta, gentil de novo, porque gentileza importa muito. Mas sinto também que tem amarras me prendendo, algo na minha mente e na minha alma que me corrompe, e me faz ser invejosa, triste, insegura, medrosa, irritada, grossa. Oh, querido Deus, me ajude. Dá-me coragem para viver!

Sobre como me sinto