inspirational leaves

Um dia você acorda e percebe que precisa seguir em frente. Que como um carro parado por tempo demais num ferro velho, precisa ser desmontado, e reaproveitado. Nem sempre os meios encontrados para seguir com a vida são os que você mais deseja, mas aina assim, estes meios te possibilitam uma espécie de subterfúgio.

Como as folhas de uma árvore, que dançam suavemente ao embalar do vento da tarde, somos flexíveis demais para conseguirmos deixar alguns pensamentos e pessoas no passado. Ignorá-las. Mas dai um dia acordamos, e fazemos o que é necessário, mesmo que isso doa e mesmo que você deseje que tudo tivesse sido diferente, que você pudesse ter antes a sabedoria que tem agora para fazer os julgamentos corretos e não se aproximar de encruzilhadas.

Fazemos o que é necessário; porque a vida não para quando você para. Ela continua, e um dia você acorda e se acha estacionado no mesmo lugar onde esteve por muito tempo…Mas tudo mudou, apesar de você.

Por que não mudar, apesar da vida?

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inspirational leaves

Sobre um amor

  • Ela não utilizava uma capa ou tinha poderes tecinéticos. Na verdade, ela mal conseguia se enxergar. Não enxergava como era inteligente, forte, determinada, especial e linda em cada pequeno gesto. Estávamos ambas no escuro. E então nossas mãos se tocaram e eu senti algo. Algo que hoje recorrentemente esqueço e relembro. E ali, num filete de luz, nos enxergamos. Não éramos mais invisíveis, nem cegas. E ela me salvou.
Sobre um amor

IDK

Há esse monstro dentro de mim, e eu não sei o que fazer para satisfazê-lo. Ele nunca me deixa em paz. Está sempre remoendo as merdas que já aconteceram comigo e me deixando ansiosa e irritada, com uma terrível obsessão por tudo aquilo que eu toco. Eu estou indo embora. Eu estou me deixando. Estou indo embora de mim mesma. E tentar me encontrar em outro lugar. Não em outras pessoas, porque elas sempre me abandonam. Sempre fazem com que eu me perca mais.

Esse monstro, é incompreensível. Ele não me deixa ser amada nem deixa que os outros me amem. Ou ao menos faz com que eu sinta isso. E dói. Dói terrivelmente. Por isso estou indo embora. E não quero voltar, mas provavelmente eu vou? Porque estou conectada às almas que me tocaram.

Por ora, adeus.

IDK

As cores mortas

Um dia deitei-me em minha cama, e senti meu corpo inerte. Mas lágrimas escorriam de meus olhos molhando o travesseiro. Olhei para as paredes brancas. Olhei para meus pulsos. Eu sabia que havia uma lâmina ali em algum lugar. Levantei-me devagar, e mal sentia minhas pernas.

No armário. Estavam no armário. Senti um nó na garganta, algo rompendo dentro de mim. Me aproximei das paredes brancas, fechei os olhos. E rasguei meus pulsos rapidamente, e nem a dor me salvou do torpor.

Então esfreguei os pulsos abertos pela parede. Sangue escorria pelo chão, misturando-se a água salgada das minhas lágrimas. Então eu cai no chão e adormeci. Mas não se preocupe. Se estou escrevendo este relato, obviamente significa que acordei. Em um hospital. Sedado e com meus pulsos enrolados em gazes.

Olhei pela janela. Estava tudo em preto e branco.

As cores mortas

Ela nunca estava ao alcance

Com suas meias pretas e pernas bem torneadas, magra como uma modelo da Vogue, cabelos pretos e encaracolados, lábios carnudos que proferiam palavras ferozes. Ela nunca estava ao alcance. Mas não por alguma das características que citei acima. Sua mente flutuava em uma outra dimensão, uma dimensão que ela mesma criara, havia já algum tempo. Lá ela era apenas uma garota em busca de paz de espírito, tentando sentir o gosto do amor, e se revelando para pessoas rasas e medrosas demais para arriscar.

Ela também tinha medo. Do mundo, das pessoas, as vezes até mesmo do vento que soprava assobiando pelas frechas da janela. Ela chorava enquanto fumava cigarros baratos e pensava “morra duas vezes, fume duas vezes”. Mas ela não estava morta por dentro. Apenas adormecida. Apenas entorpecida. A dor do mundo tornara-se em cicatrizes nos pulsos e dores de cabeça e crises de choro. Seus olhos fechados eram um subterfúgio. E ela sempre os mantinha assim, mesmo que visse o mundo, não o enxergava de verdade.

Vivia em uma dualidade. O que ela era e o que os outros pensavam. E isto pesava. Estava desnorteada e confusa, doida para sair de si mesma mas sem saber como. Por isso fechava as retinas da alma e somente assim conseguia enxergar cores e escutar música e sentir-se em paz. Porque ela nunca estava ao alcance de ninguém. Até que um dia

Ela nunca estava ao alcance

Ana Clara D.

Curta história sobre Ana Clara D.

Capitulo 1

Ana Clara D. tinha 15 anos e não se importava com nada, a não ser com o sabor da torta de limão que sua avó Meridiane costumava fazer aos domingos. Ela levava uma vida triste e enfadonha, numa cidade cinza e também enfadonha. Nunca amara ninguém, nunca ninguém lhe amara. Ela pensava que apenas seus pais a amavam, e quando estava muito triste dizia a si mesma que todos a odiavam. Mas a verdade, a mais pura verdade era que ela odiava a si mesma. Odiava seu nariz, seus olhos, suas sobrancelhas, seus traços todos. Seu corpo que não era magro o suficiente, a cor dos seus mamilos e dos órgãos genitais, odiava sua personalidade reclusa e difícil. Odiava-se por não aceitar-se, e por isso não se amava.

Ana Clara D.

Paranoia

Eu sempre fui esquisita. Ao menos sempre me senti assim por não gostar das mesmas coisas que os outros gostam. Não gosto de sexo. Tenho dificuldade em me relacionar com pessoas. As vezes eu sinto como se minha cabeça fosse explodir, porque eu não consigo…Eu tenho que lutar comigo mesma diariamente para não deixar esse sentimento vencer. As marcas no meu braço me deixam desconfortável. Ficar em grupo me deixa desconfortável. Eu falo baixo, sempre sinto que estou incomodando, sinto medo de que vá incomodar. Eu luto contra isso. Mas as vezes eu só preciso ficar quieta, deitada, pensando. E por isso eu entendo quando falo com alguém e a pessoa não me responde ou sei lá. As vezes a melhor opção é o silêncio.

Paranoia