Lovers and strangers

Eu a amava. Essa era uma verdade irrefutável. Dentre as loucuras que o mundo me trazia e todo o caos que me consumia numa vórtice, ela era a minha paz. Ao mesmo tempo eu tremia quando a via, minhas mãos hesitantes não sabiam como tocar algo tão bonito, tão puro. Ela tinha o sorriso de um anjo, os lábios mais lindos que eu já havia beijado. E eu amava cada parte do seu corpo. Eu a amava. Incondicionalmente.

Eu havia passado décadas perdida, me sentindo invisível, me sentindo uma estranha nesse mundo. E então ela estava lá, com sua sinceridade e sua alma iluminada. Agora eu estava deitada na minha cama pensando sobre como costumávamos conversar todos os dias, e de como ela ria quando eu ficava com ciúmes das suas antigas namoradas. Eu só queria tê-la por perto novamente. Mesmo que há quilômetros de distância. Eu queria sentir seu toque, deitar minha cabeça em seu ombro, fazer planos.

Mas agora era como se fôssemos estranhas. Não conversávamos, eu não sabia muito dela, ela não sabia muito de mim. Ela dizia que havia mudado. Ainda assim, eu não estava disposta a desistir dela. Nem que fosse para ser apenas sua amiga, nem que fosse para senti-la perto de mim novamente. Eu queria que ela soubesse que era amada, que era querida, que era uma alma peculiar e estranha, e na sua estranheza, linda. Eu amava a sua voz, o seu sotaque, a sua doçura.

E ela era uma das pessoas mais fortes que eu já conhecera. Criativa, especial de um jeito único, caridosa, altruísta, sincera.

Apesar de ela alegar ser bobeira, eu discordava. Ela não conseguia se enxergar, não conseguia ver o quanto era maravilhosa. Eu gostaria de emprestar os meus olhos a ela por um dia, só para que ela pudesse contemplar-se como ela realmente era. E eu desejava toda a felicidade do mundo para ela. Eu orava por ela em cada oportunidade. E me culpava por tê-la deixado ir. Por ser tão confusa e medrosa. Eu a amava. Eu queria cuidar dela. Nada nesse mundo iria me impedir; se eu não podia estar perto para segurar na sua mão, eu ligaria para ela, e conversaria com ela, e tentaria fazer com que ela se sentisse amada, e querida, e linda, porque era o que ela era.

Eu a amava. Sua dor me fazia chorar. Sua felicidade me fazia sorrir. Sua distância me doía. Mas agora eu compreendia. Ela só precisava de espaço. As pessoas mudam. Está tudo bem. Mas meu amor não mudara. E não mudaria. Disso eu tinha certeza.

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